Margareth Dalcolmo sobre covid-19: “Teremos o mais triste março de nossas vidas”

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Cemitério lotado.
Foto: AFP / AFP.

Margareth Dalcolmo, pneumologista, professora e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), demonstrou grave preocupação com o atual momento da pandemia no país “E agora eu não tenho dúvida de que teremos o mais triste março de nossas vidas. Isso é resultado do Carnaval e do descompasso entre o que nós, cientistas, dizemos, e o que as autoridades afirmam. Nos últimos dias, ouvimos que não é pra usar máscaras. Não há dúvidas, está demonstrado que a máscara é uma barreira mecânica que protege quem usa e todo mundo ao redor”. As falas aconteceram em entrevista à BBC publicada nesta terça (02).

De acordo com o pedido de Miguel Nicolelis, Dalcolmo reforçou a necessidade de um lockdown nacional: “Brasil precisaria de um lockdown de duas semanas bastante rígido para interceptar as cadeias de transmissão do coronavírus”.

No pior momento da pandemia até agora, os hospitais de oitos estados estão com mais de 90% de taxa de ocupação das UTIs por covid-19, tanto em hospitais públicos quanto privados. Os outros 17 estados estão com a mesma taxa acima de 80%, nível já considerado crítico.

A pneumologista ainda adverte para o perigo das aglomerações cometidas por jovens. “Hoje vemos muitos jovens internados, que desenvolvem casos graves. Esses indivíduos têm uma força de transmissão enorme, porque eles se aglomeram, cantam, falam alto e repetem todos aqueles comportamentos que sabemos serem decisivos para transmitir uma doença viral respiratória”, aponta.

Dalcolmo ainda relembrou que a pandemia no Brasil, assim como nos EUA, atinge mais os pobres e pretos, dizendo que “A Covid-19 é um marco em lugares como o Brasil e os Estados Unidos. Em Nova York, 40% dos óbitos pela doença aconteceram com pretos e pobres. A mesma coisa se repete aqui. Nós podemos dar inúmeros exemplos das medidas sanitárias necessárias para conter a crise, mas todas elas precisam ser coerentes e ter ligação com a questão social do país e das nossas desigualdades”.

A pesquisadora ainda criticou fortemente as medidas ineficientes de combate à pandemia  promovidas por governadores e prefeitos, pois, segundo ela, “Na forma como elas estão sendo propostas, não vão resolver nada. Por que fazer o fechamento e impedir a circulação entre meia noite e cinco da manhã? Nesse horário já não há gente na rua. E quem foi festejar, se aglomerar, beber e fazer tudo de errado, já fez. Essa é uma medida pouco eficaz”.

Ainda segundo a cientista, é necessário “vacinar 70% de nossa população até o meio do ano. Não é para setembro. É para junho. Caso contrário, vamos propiciar as condições para o aparecimento de outras variantes”. O processo de vacinação no Brasil acontece a passos lentos, com erros de logística e boicote do governo federal às medidas de contenção da doença.

Dalcolmo sobre a compra de vacinas pela iniciativa privada ainda afirmou que “Permitir isso no Brasil é indecente e imoral. O que precisamos é ter uma vacina comprada pelo Governo Federal, que pode contar com a ajuda de empresas e empresários em questões como logística e transporte.”.

As declarações de Dalcolmo corroboram com a de outros cientistas da área, que pedem pelo lockdown e vacinação para todos.

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