Ler para sobreviver: militantes e dirigentes políticos

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Livros são essenciais, em todos os sentidos. De maneira um pouco tardia, resolvi organizar e resumir a indicação de algumas leituras de 2020. E seguirei fazendo isso ao longo de 2021. 

Começo pelos obras justamente de dirigentes políticos, militantes, homens e mulheres que refletiram a partir de espaços da luta política. Segue abaixo: 

 

  1. Angela Davis, “Mulheres Cultura e Política” (Editora Boitempo, 2017)

Mulheres, cultura e política é um conjunto de conferências da ativista pelos direitos da população negra, Angela Davis, em 1984, no período do governo neoliberal e armamentista de Ronald Reagan, quando nos EUA a condição de vida dos trabalhadores piora, e Angela percebe que as mulheres negras são particularmente afetadas pela forma de gestão que retirou programas de benefício social, que aprofundou a privatização da saúde, fatiada entre 600 empresas privadas.

Ali estão, na descrição da autora, várias raízes dos EUA em crise sanitária e econômica de hoje. Marxista e integrante do Partido Comunista, Davis domina os dados amplos sobre as condições de vida da população negra, assume uma posição internacionalista, pensando sobre a condição das mulheres africanas e nicaraguenses, sempre afirmando que cada cultura e país deve produzir seus movimentos de libertação. 

 

  1. Álvaro Garcia Linera, “Tensões criativas da Revolução” (Editora Expressão Popular, 2019)

Vice-presidente da Bolívia, que sofreu um golpe de Estado em 10 de novembro de 2018, Linera é um elaborador marxista, preocupado em compreender as particularidades e o percurso dos trabalhadores e povos latino-americanos.  Neste livro de leitura acessível ele retoma todo o processo das lutas sociais, entre 2000 a 2005, passando pela chegada do governo de Evo Morales, em 2006, e a construção de um processo nos quais os movimentos populares seguiram pressionando e se chocando contra um Estado de herança colonial. 

 

  1. Áurea Lopes, “Vigília Lula Livre” (Clacso, 2020)

Aqui não é a voz de um/uma dirigente político, mas o trabalho da jornalista deu voz a esse coletivo que, de alguma maneira, foi a voz do ex-presidente Lula, injustamente preso, no marco da Operação Lava Jato, durante 580 dias. 

Áurea conta com detalhes a construção e a rotina desse espaço – a Vigília -, que exigiu dos partidos e movimentos de esquerda unidade, organização, criatividade e, sobretudo, persistência. 

 

  1. Hugo Chávez, “Cinco discursos anti-imperialistas” (Fundación para la cultura y las artes, 2015)

A Globo construiu há décadas a narrativa de “populismo” na Venezuela e muita gente caiu nessa. Só que a figura de Chávez ainda terá um lugar importante entre os pensadores latino-americanos, pela construção do socialismo mesmo durante um bloqueio econômico e político cada vez mais acirrado, e agora completo, por parte de EUA e aliados, contra o país caribenho.
Chávez defendeu a construção da transição para o socialismo com ampla convocatória para participação e organização popular, por meio das Comunas nos bairros. Os trabalhadores/as são agentes da transformação e construção do poder popular. Cooperativas, saúde comunitária, produção no campo, rádios e comunicação comunitária pude ver nas duas vezes quando estive no país, em 2006 e 2019. Mesmo na crise, direitos populares são garantidos, vide com assombro a construção de 3 milhões de moradias populares desde 2011. Críticas são bem-vindas, mas não o desprezo a este comandante de raiz popular e indígena. 

Neste livro, rodado em Caracas, parte de política pública de rica produção editorial, trazem a nitidez do pensamento de Chávez em relação ao imperialismo dos EUA cada vez mais agressivo com a América Latina, Norte da África e Ásia, não permitindo qualquer movimento de governos não-alinhados. 

 

  1. Fidel Castro, “En la trinchera de la revolucion” (Editora Politica, La habana, 1990)

 A lucidez de Fidel em livro com seus discursos do fim de 89 e início de 1990, em contexto de queda da URSS. 

Ele critica as intervenções dos EUA no Panamá, El Salvador e Nicarágua, na América Central, e reafirma a soberania do povo de Cuba no período. Surpreende no manejo de dados. E ainda combate a intelectualidade que aderiu ao discurso de fim da História e queda da construção do socialismo. Como a edição não é disponível no Brasil, vale ler os discursos de Castro desse período. São corajosos. 

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