Dois padres, Duas medidas

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Dois padres, Duas medidas
Foto: Reprodução / Twitter

Um padre, que mora em Pedras Grandes-SC, falou em sua pregação o seguinte: “E mais uma vez é importante nós recordarmos que o vírus não é católico, porque odeia o Nosso Senhor, tem fechado as igrejas. E a salvação para nossa vida, nossa alma, não está na vacina!

Há vários problemas morais em relação à própria vacina que, [como] está comprovado, é feita com fetos abortados. Dos milhões de abortos, [número] muito mais elevado do que o de mortes por coronavírus do mundo. Destes pobres seres humanos, jogados nas lixeiras hospitais… fizeram vacinas”.

Ou seja, um padre mais louco que o padre do balão. Porém, é necessário pontuar que não podemos associar o título de padre a ser louco. Padres não são necessariamente loucos. Mas este, por coincidência, é um louco que também é padre.

Veja-se que em São Paulo, por exemplo, quando se espalhou a notícia de que Covas saiu espetanto pedras pontiagudas nos lugares que os moradores de rua poderiam se defender de tempestades, como os viadutos, um padre, mais exatamente o Padre Júlio Lancelotti foi quem, marreta em punho, se pôs a arrancar as essas pedras.

Qual a diferença básica entre esses dois padres? Um está nos grupos bolsonaristas de WhatsApp, enquanto o outro não. O padre da vacina de fetos roda nas mensagens do grupo de WhatsApp da família que, ato contínuo, conclui que aquelas palavras revelam um grande segredo que se tenra ocultar. E veja que ele afirma, categoricamente, que está comprovado que todas as vacinas são produzidas de fetos abortados.

O nome da cidade em que ministra missas o padre dos fetos abortados, chamado Claudemir Serafim, que é Pedras Grandes, em Santa Catarina, enseja a lembrança das grandes pedras que Covas colocou e que o padre Lancelotti, com sua marreta, emulando Tor, arrancou. As pedras grandes de Covas tentaram tirar a possibilidade de abrigo para moradores de rua, portanto é uma tentativa de criar condições para que essas pessoas morram.

O padre Serafim se arrisca na ciência calcado em seu doutorado nos vídeos de Facebook gravados pela turma do Bolsonaro. A partir disso, ele dá por garantidas as falsas informações que recebe .

O grande problema moral ao qual ele faz menção é a utilização de fetos para produção de vacinas. Porém, se pensarmos estatisticamente, quantos fetos deveriam ser abordados para produzir vacina para toda a humanidade? O número seria tão alto que teríamos sequestros de mulheres grávidas, nesse momento, para abortar os fetos.

Então, peço para que o padre pense com a própria cabeça e saia desses horrendos grupos de WhatsApp que está frequentando.

À Igreja Católica, em caráter de urgência, peço que remova esse padre e não o deixe chegar perto de nenhum microfone ou câmera no Brasil. É por causa de absurdos como esse que muitas pessoas estão morrendo.

Em países sérios, pessoas que espalham tal tipo de desinformação são imediatamente tiradas até de circulação, quanto mais do ar. É importante ressaltar que provavelmente os idosos da igreja dele estão se recusando a se vacinar, porque acreditam no que dizem os padres, qualquer padre.

É nesse momento que surge a pergunta: de que vale a nossa justiça? Se quando Sara Winter e Oswaldo Eustáquio começaram a crescer demais, falando contra os ministros do STF, eles foram retirados do ar. Contudo, um padre como este, que perturba a saúde de um país, e assim mata indiretamente pessoas, não é tirado do ar.

A liberdade de expressão não pode se sobrepor à emergência sanitária. A liberdade de expressão não pode ser garantida quando a sua manutenção cause mortes.

Esta situação é muito perigosa. Os fanáticos da igreja dele não irão se vacinar. Ainda que se parta do princípio de que toda tolice deva ser castigada e que, portanto, que morra essa gente que não quer tomar a vacina,

é importante também refletir que o padre Claudemir se tornou louco por alguma motivação maior. Esse motivo é uma rede de idiotização que, inclusive, está sendo permitida e até incentivada no Brasil.

O motivo pelo qual países como a China conseguiram controlar quase que imediatamente a doença foi, exatamente, proibir este tipo de obscuro espetáculo.

O fato lamentável é que enquanto outros países estão proibindo qualquer tipo de mentira a respeito da covid-19, qualquer loucura pode circular livremente no Brasil. Tempos difícieis esses que temos vivido em Pindorama.

Por sorte nossa nenhuma revista científica arriscou publicar a tese do notável padre e nem a OMS decidiu adotar seus protocolos.

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5 COMENTÁRIOS

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  2. Quando o Padre catarinense diz que o vírus não é católico porque tem fechado Igrejas, ele está pensando apenas no $$$ que a Igreja onde ele prega está deixando de arrecadar sem a presença de muitos fiéis. Na verdade, um Padre ou um Pastor que pensa obsessivamente em dinheiro, não acredita em Deus. Quem acredita de verdade em Deus, teme os seus castigos. È um pecado criticar o Padre Júlio pelo seu extraordinário exemplo ao defender os moradores de rua diante dessa atitude hostil e desumana do prefeito Dória. O prefeito citado deveria colocar pedras num presídio e colocar os colegas dele de partido para dormirem em cima, já que é onde deveriam estar vários deles que roubam São Paulo há décadas. Aliás. esse Padre deveria defender a vida das pessoas orientando-os para tomarem a vacina. Parabéns Padre Júlio pelo amor que o Senhor tem aos menos favorecidos! Chega de ações que lembram o fascismo!

  3. O senhor atualizou-se com relação as urgências de comunicação que o tempo presente necessita que é uma esquerda em sincronia com os tempos, no entanto a esquerda anacrônica não consegue abandonar os dogmas, os jargões e os discursos decorados. Sinto muito pelo seu desconforto no ambiente em que deseja transitar, acredito piamente que esta na matiz de esquerda errada.

  4. Eu particularmente não costumo tomar nenhuma vacina depois de adulta. Eu tenho receio, mas minha informação não vem de fontes bolsonaristas. Vejam o documentário Rockefeller Medicine, do James Corbett, no YouTube, enfim, eu respeito e apoio o direito e desejo das pessoas se vacinarem, e não faço campanha contra, muito menos bolsonarista. O Padre Júlio é um exemplo para todos nós. Ele FAZ o que é possível fazer para amenizar a dor do próximo. Nós não podemos controlar Bill Gates e sua fundação pseudo-filantrópica, que patrocina a OMS e tem seus fundos de investimento em grandes empresas. Mas podemos nos organizar para amenizar a dor do próximo. E podemos ao menos não endeusar a mega farma e nem bilionários eugenistas. Não os endeusar já está de bom tamanho.

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